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NOVOS TEMPOS PARA O GRUPO 1 Por Carlos de Paula
Em 1977 a face do Grupo 1 mudara. O governo brasileiro proibira as corridas de longa duração, e para que a categoria continuasse viva foi preciso reformular a forma de disputa. Senão era paredão. Ou seja, nada mais de 12 Horas de Goiânia, 1000 km de Brasília ou 25 Horas de Interlagos. As corridas seriam compostas de duas baterias de 45 minutos cada, para os carros da Classe A, e outra para os carros da Classe B. Pareceriam mais com o campeonato paulista de Divisão 1.
Com baterias curtas não haveria paradas nos boxes, assim as corridas seriam pauleiras. Naquele ano os Opala e Maverick ainda estavam razoavelmente emparelhados, pelo menos no começo do ano, e o que se viu na primeira etapa da nova fase do Grupo 1, em Brasília, foi equilíbrio: 14 Opalas e 12 Maverick. Na Classe A, entretanto, os Passat foram quase hegemônicos, salvo por um solitário Dodge Polara.
A corrida foi realizada no dia 17 de abril, e ainda repercutia a notícia da morte de José Carlos Pace, piloto que abrilhantara a categoria nos últimos dois anos. A grande equipe Greco se fora, e Paulo Gomes, seu ex piloto, comprou um dos Mavericks da equipe, enfeitando-o com um desenho do capacete do seu amigo “Moco”.
Como em quase toda corrida brasileira, existe um ângulo engraçado. A corrida era patrocinada por uma concessionária Fiat de Brasília, com o detalhe que haviam carros da Ford, GM, VW e Dodge, só não havia carros da FIAT. E na hora de pagar os prêmios a tal concessionária mudou um pouco de idéia. Enfim. Aquelas coisas que ficam sem explicação, e acabam terminando em pizza.
Além de Paulão, diversos pilotos de primeira foram inscritos na Classe B: Edgard Mello Filho, que havia sido campeão da Divisão 3 em 1974, Artur Bragantini, Marcos Troncon, o paranaense Carlos Eduardo Andrade, Totó Porto, Reinaldo Campelo, o gaúcho Julio Tedesco, Alencar Junior de Goiânia, Affonso Giaffone, Ricardo Soares de Oliveira, Marinho Amaral, Jayme Figueiredo, e alguns pilotos do Distrito Federal, inclusive Marco Emilio Pires, que correria em dupla com Raif Gibran, Jose Carlos Catanhede, Ruyter Pacheco e Carlos Brás.
Edgard Mello Filho ganhou em Brasilia Edgard marcou o melhor tempo, seguido de Julio Tedesco, Alencar Junior e Paulo Gomes, este último o melhor representante entre os Maverick. A primeira bateria foi toda de Paulo Gomes, que sem dúvida, se lembrava dos bons tempos de 1974 e 75, quando dominou a categoria. Esteve sempre a frente, seguido por um batalhão de Opalas, sendo que o único outro Maverick que teve bom desempenho foi o de Pires/Gibran. Os carros andaram bastante embolados, empolgando o público.
Na segunda bateria, foi a vez de Edgard Mello Filho dominar. Alencar Junior largou na frente, mas logo Paulão reassumira a primeira posição. Por azar, Paulão furou um pneu, mas a derrota veio através de um humilde mosquito que entrou no giglê do carburador do seu V8, causando sua parada definitiva. Daí para frente Edgard administrou o resultado, seguido do goiano Alencar Junior e do brasiliense Pires. Na soma dos tempos, Edgar Mello Filho saiu vencedor da Classe B.
Opalas e Maverick ainda estavam se embolando Na Classe A, voltava às corridas o mineiro Toninho da Matta, que iniciaria uma fase de ouro pilotando Passats. Além dele, diversos outros pilotos de categoria estavam presentes, entre os quais Atila Sippos, Luis Paternostro, Rômulo Gama, Clemente Faria, Luiz Evandro Águia e Luis André Ferreira. A dupla Sippos/Paternostro saiu vencedora, mas Da Matta deu muito trabalho enquanto esteve na pista. De fato, embora Sippos tenha conseguido abrir boa diferença no começo da bateria, no final Toninho estava colado nele. Algumas vezes, Toninho conseguiu passar Atilla, mas no final deu o carro 25. Seu companheiro de equipe, Jose Junqueira, acabou abandonando na segunda bateria, de forma que não foi possível manter o 2° lugar da primeira bateria. Rômulo Gama e Sergio Morsa também lideraram, mas Paternostro superou os ataques, garantindo a vitória para a dupla.
Toninho finalmente encontrara o seu carro: o Passat Estava assim iniciada a nova etapa das corridas de Grupo 1, de um campeonato que contaria com 11 etapas. No cômputo geral, saldo positivo.
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