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CAMPEÕES BRASILEIROS DE AUTOMOBILISMO

MILAGRE EM NURBURGING

Por Carlos de Paula

 

A Fórmula 2 ainda gozava de bastante prestígio em 1978. Às vezes, pilotos de Fórmula 1 como Arturo Merzario, Jochen Mass, Hans Stuck, Jean Pierre Jarier e Clay Regazzoni ainda participavam das corridas, algo impensável na GP2 de hoje. Duas corridas se destacavam no calendário: o GP de Pau, na França, e a Eifelrennen, disputada no dificílimo circuito de mais de 22 km, situado nas montanhas de Adenau, Alemanha. O temido Norschleife, que dois anos antes quase levara a vida de Niki Lauda, e que estava banido permanentemente da Fórmula 1.

 

Ganhar uma corrida no velho Nurburgring era o sonho de qualquer piloto. E, de fato nenhum piloto brasileiro havia conseguido este feito, até então. Com mais de 170 curvas, muitas mudanças de elevação, os carros literalmente voavam em Nurburgring, cuja edição atual é um entre os diversos circuitos sem graça onde se disputam as corridas modernas.

 

A prova também era muito importante para a BMW, montadora alemã, que sempre se esmerava para ganhar as provas no seu próprio país. Os dois últimos anos não tinham sido muito bons para a BMW na Fórmula 2. De fato, a Renault havia ganho os dois últimos campeonatos, e muitas das provas disputadas, e a Bayerische Motoren Werke ficara a ver navios. Para 1978 as coisas seriam diferentes. A equipe de fábrica da BMW era a March, construtor inglês que abandonara a Fórmula 1 e resolveu dedicar-se à fórmula secundária. A BMW dava apoio a três carros nessa equipe, pilotados por Bruno Giacomelli, Marc Surer e Manfred Winkelhock. Além disso, a BMW dava amplo suporte à Project Four Racing, equipe de Ron Dennis que dois anos depois assumiria a McLaren, com os pilotos Eddie Cheever e Ingo Hoffmann.

 

Tamanho era o favoritismo da March, que os March-BMW fizeram 1-2-3-4-5 nas duas primeiras provas do ano, em Thruxton e Hockenheim, com Bruno Giacomelli ganhando as duas com alguma facilidade. Para a corrida do Nordschleife, esperava-se nada mais nada menos do que o domínio total da BMW.

 

Entre os inscritos, estava o brasileiro Alex Dias Ribeiro. Alex fora piloto oficial da March de 1975 a 1977. No primeiro ano, pilotou para a equipe na Fórmula 3, ganhando diversas corridas e obtendo o vice-campeonato inglês. Graduou para a Fórmula 2, em 1976, e embora não tenha ganho nenhuma prova, foi segundo diversas vezes e o primeiro colocado no campeonato não equipado com motor Renault. A consagração de Alex deveria ocorrer em 1977, quando passaria à Equipe March de Fórmula 1, com patrocínio da Hollywood.

 

O March-Hart de Alex: Davi contra Golias

À primeira vista, parecia uma grande oportunidade. A March, nunca uma equipe de ponta, passava por boa fase e havia ganho duas corridas nos dois anos anteriores, e apesar de o March 761 ser uma mera evolução do March 721, os pilotos da equipe Peterson, Brambilla e Stuck freqüentemente estavam entre os mais rápidos nos treinos. Por que pensar que as coisas seriam diferentes em 1977?

 

Mas foi diferente, e como. Primeiro, o prometido carro “revolucionário” da March não apareceu. Alex teve à sua disposição o 761, que nada mais era do que um 751 melhorado, preparado com certo desdém durante o ano. O outro piloto da equipe, Ian Scheckter, teve à sua disposição, em algumas ocasiões, o 771, que de revolucionário nada tinha. Era um 761 “melhorado”.  Um carro de seis rodas traseiras não passava de truque publicitário.

 

Alex sofreu, e muito, naquele ano de 1977. A boa reputação obtida em três anos de sacrifício se foi para o lixo, após não se classificar em diversas corridas, e pior ainda, ser superado por diversos March de particulares, como os de Frank Williams e Arturo Merzario. Ter ou não telefone não fazia diferença para Alex, naquele final de ano, pois este parou de tocar.

 

Alex não queria desistir. Tinha a sua honra para defender, provar que não era um piloto de quinta, como insinuava a direção da March, e tentou fazer algo que provavelmente não daria muito certo. Já que não recebeu nenhum convite para 1978, montou um esquema particular, ainda por cima sem nenhum patrocinador. Tinha algumas verbas pequenas, que dariam para quebrar o galho, mas nada substancial. Crente fervoroso, Alex resolveu pintar os dizeres “Jesus Saves” (Cristo Salva, que já usava no seu capacete no Brasil) no March vermelho. 

 

Nada de motores BMW para Alex. O máximo que conseguiu foi um motor Hart, que venceu duas etapas do campeonato anterior, mas que estava longe de ser um BMW.

 

A existência do Team Jesus Saves era garantida de corrida para corrida, os prêmios da corrida anterior garantiam a participação na prova seguinte. De resto, orar com muita fé, esperando que o motor não fundisse e que o carro não se envolvesse em nenhuma colisão.

 

Alex chegou em 6° em Hockenheim, e voltou para a sua base na Inglaterra. A corrida de Nurburgring seria três semanas depois, e seria inviável permanecer na Alemanha. Com o final de semana se aproximando, Alex e sua pequena equipe pegaram o humilde caminhãozinho, e se mandaram para as montanhas alemãs. Alex acompanhado de Wayne Kerlein, Alain Bat e Allistair McQueen. O primeiro, mecânico de mão cheia, mas conhecido como encrenqueiro. 

 

Em Nurburging, a superioridade da BMW ficou evidente. Giacomelli mais uma vez marcara a pole-position, com uma excelente volta de 7m11s5/10, e todos esperavam que no domingo os bimmers dominassem o pedaço. Entre os fortes concorrentes, estavam Keke Rosberg, Jochen Mass, Eje Elgh, Riccardo Patrese e Derek Daly, com Chevrons-Hart, além de Elio de Angelis, com um Chevron-Ferrari e Brian Henton, com um March-Hart, e situação parecida à de Alex. Na melhor das hipóteses, Alex poderia esperar um 4° lugar, pois as BMW certamente estariam afinadíssimas.

 

Ingo tinha apoio da BMW, mas este foi o dia de Alex

A prova de Nurburging era um pouco atípica, entre as corridas de Fórmula 2, pois era disputada em uma única bateria, de 9 voltas, com um pouco mais de uma hora de corrida. 36 carros alinharam no domingo, e Giacomelli logo tomou a ponta, parecendo que ganharia a corrida na moleza. Mas na sétima voltam, grande crise para a BMW e a equipe de fábrica da March. A parte elétrica do carro n° 8 falhou, e Bruno abandona a prova, assumindo a ponta um grupinho formado de Alex Ribeiro, Keke Rosberg em tarde inspirada, e Eddie Cheever, em cujas costas pesou o fardo de salvar o dia para a BMW. Estes eram seguidos de parte por outro grupo, formado de Marc Surer, Brian Henton e o outro brasileiro na corrida, Ingo Hoffmann.  Após muito sacrifício, e com uma diferença mínima de 1/10 de segundo, Alex Ribeiro conseguiu cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, à frente de Keke Rosberg, e com 6/10 de diferença em relação a Eddie Cheever. Um verdadeiro milagre acabara de acontecer no Nordschleife, uma estória do tipo Davi contra Golias.  Alex conseguira não só bater quatro carros da sua ex-equipe, como diversos dos pilotos mais cotados daquela geração (Rosberg, Cheever, de Angelis, Patrese), com amplo patrocínio e apoios de fábricas, e muitos com motores muito mais potentes do que o Hart. Uma vitória memorável, verdadeiro milagre.

 

O resto da temporada não foi tão bem sucedido, e de fato a carreira de Alex nunca foi revigorada. Uma tentativa de volta à Formula 1, com a equipe Fittipaldi, em 1979, só foi o golpe final. Mas Alex tem uma grande história para contar aos seus netos.

 

RESULTADO DA CORRIDA AQUI

 

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Last modified: February 12, 2007